Elevação de ferrovia integra comunidade | Infraestrutura Urbana

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Elevação de ferrovia integra comunidade

Projeto de reurbanização de Manguinhos, no Rio de Janeiro, conta com parque, áreas de lazer, conjuntos habitacionais e centro cívico

Por Marina Pita
Edição 12 - Dezembro/2011

Pórticos executados para elevação da via férrea de Manguinhos - construção emblemática do projeto de reurbanização de complexo de favelas no Rio de Janeiro

O principal legado do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) Urbano, no Rio de Janeiro, será a elevação da via férrea de Manguinhos, na zona Norte da cidade, e a criação, abaixo dela, de uma área de lazer atrelada a um espaço cívico. Pelo menos esta é a avaliação de Jorge Mario Jáuregui, responsável pelos projetos do complexo de favelas do Alemão, do Núcleo Habitacional da Rocinha e da própria Manguinhos, além de um dos principais nomes do programa Favela Bairro.

O local apelidado pelos cariocas de Faixa de Gaza, território palestino em meio ao Estado de Israel conhecido pelas cenas de violência ali preconizadas, era um espaço dividido: no caso, pela linha férrea. Nos muros que separam o trilho das moradias construídas irregularmente, as marcas de bala de um espaço dominado pelo tráfico de drogas. "Tínhamos ali uma encruzilhada. Ao lado do complexo da Fiocruz, centro de alta tecnologia, se encontrava uma área totalmente sem condições salubres, com esgoto a céu aberto e solo contaminado. Um espaço marcado por violência e pobreza", explica Jáuregui.

Perspectivas do Parque Linear

Para dotar a região de infraestrutura qualificada, era preciso retirar a linha de trem do caminho, integrar a comunidade, oferecer emprego, habitação e equipamentos públicos que levassem serviços públicos ao local. Assim, o projeto de reurbanização das favelas que compõe a comunidade de Manguinhos é composto por uma série de obras.

A mais difícil e também mais simbólica, porque acaba com a divisão forçada da comunidade, é a elevação da via férrea entre a Linha Amarela e o ramal ferroviário MRS, num trecho de cerca de 2 km de extensão. "Em princípio a elevação pareceria uma medida exagerada e descabida, isso pensando em uma abordagem tradicional. Mas ela deixará um legado muito importante como pedagogia de restituição nos aspectos físicos, sociais, de segurança e de vida de um lugar."

Em termos de engenharia, o projeto de elevação utilizou estudos avançados para comportar duas linhas de passageiros, uma de carga e ainda criar um vão adequado para a criação de áreas verdes e de lazer em um terreno cortado por um rio e com solo mole, típico de mangue.

Os pilares de concreto ainda vão suportar a passarela para embarque e desembarque de passageiros, que comporá uma estação intermodal. Composta por três pavimentos, numa área construída de 2.466,2 m², a estação será uma das mais modernas do Rio de Janeiro, de acordo com a Empresa de Obras Públicas do Rio de Janeiro (Emop), contratante do projeto pela Secretaria de Obras.

A previsão é de que a elevação da via férrea seja concluída até abril. Abaixo dela, será construído um Parque Metropolitano, cujo eixo principal será um passeio público. Uma área de 1,5 km contará com mobiliário urbano, diversos equipamentos de lazer, esporte e convivência, além de área verde. Nos extremos do parque serão implantadas quadras de areia para futebol e vôlei, quadras poliesportivas, pista de skate e parque infantil, garantindo que todo o trecho seja ocupado com usos diversos.

No entorno do parque, uma ciclovia o ligará à área de lazer e a um Centro Cívico, desenvolvido sob a premissa de conservação e reaproveitamento das estruturas existentes, valorização das centralidades já constituídas e criação de novas, bem como a preservação das espécies arbóreas existentes. Em uma área de 35,5 mil m² onde havia uma edificação de propriedade do exército - construída na época em que o Rio de Janeiro era a capital federal - foram projetados diversos equipamentos públicos. Uma escola, biblioteca e centro de atendimento à mulher usam parte de sua estrutura. O centro cívico conta ainda com parque aquático, ginásio, unidade de pronto atendimento, centro de referência da juventude, centro de geração de renda e centro de apoio jurídico.

Ao lado, um conjunto habitacional responde à necessidade de moradia das famílias que viviam em áreas de risco e também daquelas que foram desapropriadas para ceder espaço para a construção do parque linear, da nova linha férrea e expandir as vias do entorno. Um segundo conjunto habitacional foi construído ao longo da avenida Leopoldo Bulhões, também em blocos de quatro pavimentos. E um terceiro conjunto habitacional com 30 blocos foi construído na rua Dom Helder Câmara. Ao todo, o projeto prevê a construção de 1,7 mil unidades habitacionais, com prédios de quatro andares e apartamentos de cerca de 40 m².

 

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