BRT Transcarioca | Infraestrutura Urbana

Transporte

BRT Transcarioca

Corredor de ônibus com pavimento de concreto se estende por 38 km no Rio de Janeiro e envolve a construção de 38 estações, dois terminais, alargamentos de vias e obras de arte especiais

Por Marina Pita
Edição 13 - Abril/2011

O sistema viário do Rio de Janeiro passa por uma transformação. A cidade ganhará quatro corredores de transporte de alta capacidade, com faixa segregada para Bus Rapid Transit (BRT), integrados com os demais modais como ônibus, metrô e ciclovias. Dos quatro, a construção da Transcarioca se destaca por ser o primeiro corredor de alta capacidade no sentido transversal da cidade, ligando a zona Norte à zona Oeste. São 38 km que vão conectar a Barra da Tijuca ao aeroporto internacional do Galeão, atravessando as principais artérias dos bairros envolvidos.

A construção da Transcarioca foi iniciada em março de 2011, está orçada em R$ 1,6 bilhão e inclui uma série de obras que vão desde a pavimentação de concreto dos corredores de ônibus à construção de pontes estaiadas, viadutos pré-moldados e metálicos, estações e terminais, além de serviços de alargamento de vias entre outros.


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"A cidade tem poucos corredores transversais de transporte. A grande maioria é longitudinal ou radial, como a Supervia [trem urbano do Rio de Janeiro] e o metrô. Atualmente a única ligação transversal da cidade é a Linha Amarela, um eixo viário que não funciona exatamente para o transporte público", explica o coordenador de desenvolvimento da Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Luis Gustavo de Oliveira Barreto, responsável pelo projeto da Transcarioca desde os estudos iniciais.

Projetado inicialmente para ligar apenas a Barra da Tijuca à Penha, o projeto da Transcarioca foi ampliado. Um dos motivos para a ampliação foi atender à demanda por transporte público dos grandes eventos que a cidade sediará: a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e Olimpíada, em 2016. O fator financeiro também foi determinante. A ampliação era pré-requisito para obtenção de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A obra foi então dividida em dois lotes: o primeiro que compreende o projeto original e o segundo lote, com o trajeto ampliado.

A atual demanda pelo novo corredor transversal, no entanto, já justificaria sua construção. De acordo com Barreto, pesquisas realizadas pela secretaria indicam que 400 mil passageiros por dia trafegarão por este corredor diariamente. "Esta é quase a demanda de um metrô", afirma. São pessoas que ganharão tempo, já que a estimativa de redução do tempo de viagem entre a Barra da Tijuca e a Penha é de 50%, de duas horas para uma hora.

Para construir um sistema integrado racional, a Transcarioca terá poder estruturante sobre todo o sistema de transportes urbanos de sua área de influência e acarretará o remanejamento das linhas de ônibus hoje existentes. Também foi planejada para cruzar os meios de transporte sobre trilhos. Ela passará pela Supervia em dois pontos: Madureira - ramais Deodoro e Belford Roxo - e Penha - ramal Gramacho; atravessará a Linha 2 do Metrô, em Vicente de Carvalho, e cruzará a Av. Brasil.

divulgação Transcarioca

O trecho entre o Largo do Campinho até a entrada na Av. Ministro Edgar Romero, apelidado de Complexo de Madureira, é um dos trechos de maior intervenção do corredor, seja pelas alterações no plano de circulação viária, seja pelo volume de obras em nível ou de arte especiais. Na foto, construção em concreto pré-moldado do viaduto Madureira

O traçado do corredor preservou a conformação geométrica das vias, evitando a retificação dos trechos, o que, entre outras complicações, implicaria mais gastos com desapropriações. Uma via com pavimento de concreto - resistente ao tráfego intenso - manterá os ônibus biarticulados ou até triarticulados, previstos para circularem na Transcarioca, em velocidade padrão de 60 km/h e velocidade média de 40 km/h, por conta das paradas em semáforos.

As 38 estações que comporão a Transcarioca (edificadas com elementos pré-fabricados em aço e base de concreto pré-moldado) serão elevadas para que as portas dos ônibus estejam no mesmo patamar dos pedestres e contarão com rampas de acesso para pessoas com deficiência, além de cobertura dupla. O pagamento de tarifa e a validação do bilhete serão efetuados nas estações e terminais, para reduzir o tempo de embarque/desembarque dos passageiros e aumentar a velocidade comercial do sistema. Portas de vidro com abertura automática separarão os ônibus das estações e garantirão maior segurança aos usuários. Nas áreas das estações, o corredor Transcarioca terá duas faixas de tráfego para permitir que as linhas expressas ultrapassem as linhas paradoras.

 

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