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Marginal vira túnel na Espanha

Após enterrar vias expressas ao longo do rio Manzanares, capital espanhola cria extenso parque linear capaz de integrar bairros e resgatar a história da cidade

Por Eliane Barros
Edição 14 - Dezembro/2011




Espanha enterrou sua marginal e criou parque nas margens do Manzanares

 




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Com a criação de túnel pelo método destrutivo, foram criados 500 mil m² de área verde

Uma obra audaciosa mudou Madri, capital da Espanha. Os 6 km das vias marginais ao rio Manzanares, correspondentes ao arco Oeste do rodoanel da cidade, foram enterrados, dando lugar a um parque linear de 500 mil m² conhecido no País como Madrid-Río.

O parque faz parte de um projeto mais amplo, o Madrid Calle 30, realizado entre 2004 e 2007 e considerado um dos mais importantes em termos de transformação urbana na Espanha. Ele foi responsável pelo soterramento de alguns trechos da rodovia M-30 (que margeia o rio Manzanares), bem como pela criação de novos acessos e túneis de interligação, o que melhorou as conexões da via com diversos bairros da cidade, e desses com a região central de Madri.

O soterramento da M-30 permitiu a liberação de 50 hectares de área na porção Oeste da rodovia, abrindo a possibilidade para a construção do parque Madrid-Río. Assim, por sobre a via enterrada, hoje há uma grande área de lazer com ciclovias, praia artificial, quadras esportivas e diversos equipamentos públicos.

A integração dos dois projetos de urbanização (Madrid-Río e Madrid Calle 30) integrou bairros, possibilitou a reabilitação do rio Manzanares e seu entorno, requalificou antigas pontes e adotou modernas soluções para reúso de água.

Segundo Manuel Arnáiz Ronda, diretor geral de infraestruturas da Prefeitura de Madri na época do Calle 30, o objetivo do projeto era melhorar a mobilidade e a distribuição do tráfego ao longo do rodoanel de 43 km de extensão e raio médio de 5,17 km, a partir da praça Puerta del Sol.

Dividido em cinco trechos realizados simultaneamente, o soterramento da M-30 ao longo do rio foi feito sem variar de forma significativa seu traçado original, e o mais superficial possível, uma vez que nessa região a via tem muitos acessos a pontes e outras avenidas.

Enterramento das marginais
No soterramento das vias foram usados os três principais métodos de construção de túneis no projeto: o TBM, NATM e o destrutivo (VCA).

No caso da porção Oeste da rodovia, onde foi feito o Madrid-Río, o sistema utilizado para a construção dos túneis "foi o tradicional destrutivo, com o uso de paredes-diafragma e lajes de concreto", explica Arnáiz, atual chefe executivo da empresa Madrid Calle 30, responsável por controlar o tráfego em toda a rodovia. A escolha decorreu da necessidade de se fazer o túnel próximo à superfície. Na avaliação de Arnáiz, a tuneladora é adequada para túneis abaixo de 30 m e, preferencialmente, com mais de 3 km em linha reta.

As lajes foram construídas com vigas protendidas e laje de concreto armado e concreto protendido em pós-tração. A escolha do método construtivo da laje variou de acordo com a quantidade de pistas do túnel que vão de quatro a sete.

Mas, a presença de interferências no subterrâneo, como linhas de metrô e fundações de pontes na porção Oeste da M-30, exigiu também ações singulares. A escavação NATM foi aplicada em alguns destes casos, complementando o método destrutivo.


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