Marginal vira túnel na Espanha | Infraestrutura Urbana

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Marginal vira túnel na Espanha

Após enterrar vias expressas ao longo do rio Manzanares, capital espanhola cria extenso parque linear capaz de integrar bairros e resgatar a história da cidade

Por Eliane Barros
Edição 14 - Dezembro/2011
NÚMEROS DO PARQUE
 
  - Orçamento: 420.000.000 euros
- 30 km de ciclovia e uma pista de ciclismo BMX
- Sete pistas de peteca
- 12 mesas de jogos
- 33.623 árvores de 47 espécies
- 470.844 arbustos de 38 espécies
- 210.898 m² de pradarias
- 33 pistas de esporte (patinação, skate, escalada, futebol, tênis, paddle, basquete)
- 17 áreas de jogos infantis com 65 brinquedos
- Três espaços de eventos
- 5.506 novos bancos
- 8.528 luminárias
- 63 fontes com água potável
- 84 estacionamentos para bicicletas

 


Ao todo, a construção dos túneis de conexão urbana associados ao soterramento alcança 12 km, o que resulta uma extensão total de túneis de 27,6 km. Para tal, foram construídos 49 km de paredes, com uma média de 20 m de profundidade, 2,5 m de largura e 1 m de espessura.

A laje de superfície de concreto, afirma Arnáiz, variou de 0,6 m a 1,5 m, dependendo do número de pistas que o túnel iria abrigar. Para acelerar a execução, cerca de 90 bate-estacas chegaram a trabalhar simultaneamente, cada uma com seu guindaste auxiliar, nos meses de pico (setembro de 2005 a abril de 2006).

Entre os desafios enfrentados ao longo da obra, Arnáiz destaca os constantes desvios necessários no tráfego da M-30, bem como a falta de espaço em superfície para as máquinas necessárias à montagem e colocação das paredes-diafragma.

Além disso, por baixo das vias marginais passavam coletores do sistema de saneamento, linhas elétricas, telefônicas e de gás, que tiveram que ser desviados. As obras na M-30 permitiram soterrar também linhas de alta tensão que percorriam a margem do rio Manzanares, eliminando, assim, 41 torres elétricas.

Para o sistema de ventilação dos túneis, a falta de espaço subterrâneo impedia a instalação de condutores contínuos de ventilação. A solução, explica Arnáiz, foi instalar estações de ventilação mistas (injeção- extração) a cada 600 m, combinadas a extrações pontuais com uma distância de cerca de 100 m.

Estações de filtração de partículas contaminantes também foram instaladas com o objetivo de reduzir a poluição em torno do rio Manzanares. Por último, os túneis estão revestidos e protegidos com telas acústicas, e os sistemas de acionamento são dotados de silenciadores.




Projeto é considerado um dos mais importantes de Madri

Soluções e recuperação de patrimônio histórico
O encontro com o metrô e fundações de pontes históricas é um capítulo à parte do projeto de transformação da porção Oeste da M- 30 e se tornou um desafio em termos de engenharia, além de uma oportunidade para recuperar importantes equipamentos históricos até então "invisíveis" ao longo da via.

Na região da Puente de Segovia, por exemplo, onde o traçado do túnel deveria passar embaixo do segundo pilar da ponte, a solução encontrada foi aplicar microestacas verticais e horizontais em sua base.

Ao redor do pilar, uma parede vertical impermeável foi executada com duas fileiras de colunas de jet-grouting com nata de cimento. O método permitiu escavar 3 m abaixo da superfície do terreno e introduzir uma perfuradora especial para realizar estacas in loco que formariam, depois, as hastes do novo túnel.

Antes dessas estacas, uma série de furos horizontais foi feita para consolidar o interior do pilar, costurando-o com microestacas. Além disso, foram implantadas microestacas verticais ao redor do pilar, tornando-o independente da fundação em que se apoiava a ponte. Isso facilitou a escavação de galerias perpendiculares ao pilar, eliminando a fundação nesta faixa, já que a carga de 10 mil t do pilar foi transferida às microestacas verticais.


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