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Marginal vira túnel na Espanha

Após enterrar vias expressas ao longo do rio Manzanares, capital espanhola cria extenso parque linear capaz de integrar bairros e resgatar a história da cidade

Por Eliane Barros
Edição 14 - Dezembro/2011

Uma vez escavada a galeria, a área foi concretada, integrando as microestacas verticais. A execução de todas essas galerias forma a laje de superfície do soterramento da M-30 e o apoio do pilar da ponte.

Outro ponto que mereceu método de execução singular foi na altura da Puente de Toledo. Como a largura necessária entre as paredes dos dois túneis neste trecho era de 13,1 m (três pistas), superior à distância entre os pilares da ponte, a solução adotada foi a execução de paredes de microestacas anexadas no interior do pilar, a fim de alcançar a largura predeterminada para a seção transversal.

A estrutura da ponte, no entanto, estava deteriorada, com uma série de cavidades em seu interior. Foi então necessário substituir parte de sua fundação de estacas de madeira por microestacas de metal, reforçadas com injeções de concreto para garantir sua estabilidade.

Ao todo, foram necessárias 128 injeções controladas de microcimento, em perfurações verticais de 13 m de profundidade, feitas desde a parte superior da ponte até o contato de sua base com o solo. Além disso, foram aplicadas 116 injeções de nata de cimento, em perfurações de 25 m de profundidade, a fim de reforçar a fundação e o terreno, sob o qual a ponte está construída. Tal processo de restauração veio de encontro à proposta de recuperação do patrimônio histórico adotada pelo projeto.

O Parque
Ao longo de 6 km da margem direita do rio, onde foi construído o parque linear Madrid-Río, destaca-se o "Salón de Pinos", um corredor verde erguido sob a superfície dos túneis da M-30, com uma largura média de 30 m e mais de 9 mil unidades de diferentes espécies de pinheiros, com diversos tamanhos e formas, o que traz a sensação do prolongamento da serra de Madri situada ao norte.

Sua construção exigiu a preparação da laje de superfície dos túneis que recebem pintura impermeabilizante, além da aplicação de argamassa para a criação de canaletas que assegurassem o escoamento da água filtrada da superfície, conduzindo-a até o sistema de drenagem de valas laterais.

No encontro com pontes históricas do rio, como a renascentista Segovia, construída em 1574, e a barroca Toledo, de 1732, o Salão de Pinheiros dá origem a diferentes jardins de ribeira, locais onde ele amplia seus limites e oferece um desenho específico com árvores de folha caduca, com bancos de pedra, ideais para o descanso dos pedestres.

CIFRAS ENVOLVIDAS
 
 

- Passeio público de Marqués de Monistrol à Ponte de Segovia
Empresa:
Dragados
Orçamento: 371.671.965,05 euros.

- Ponte de San Isidro à Ponte de Praga
Empresa:
Acciona
Orçamento: 227.830.604,60 euros

- Ponte de Segovia à Ponte de San Isidro
Empresa:
La Unión Temporal de Empresas (UTE), formada por Ferrovial-Agromán S.A e Compañía de Obras Castillejos S.A
Orçamento: 247.324.636,02 euros

- Ponte de Praga ao Eixo Sul
Empresa:
FCC
Orçamento: 231.852.972 euros

 

Ao sul, na margem esquerda do canal, o projeto engloba o antigo Matadouro de Madri - revitalizado agora como centro cultural - e o novo Parque de Anganzuela, com 23 hectares de área ajardinada.

O granito foi escolhido como matéria- -prima para o desenvolvimento do mobiliário urbano (bancos, revestimentos, guias) e de intervenções paisagísticas, como grutas. A rocha é "abundante na serra madrilenha e historicamente utilizada nas construções mais relevantes de Madri e região", justifica Javier Malo de Molina, coordenador da equipe formada por MRío e West-8, ambas responsáveis pelo projeto.

A rocha atua ainda como um elemento de integração e continuidade do parque. "Vimos que era importante reduzir a gama de materiais utilizados para dar uma homogeneidade e identidade a uma área tão vasta", comenta o arquiteto.

As águas
Entre os equipamentos de esporte e lazer, destaca-se a "Playa de Madrid", com três áreas aquáticas de formato oval: uma com jatos de água com altura e efeitos variados, outra com um lago de água pulverizada e, por último, mais uma área com 3 cm de profundidade, onde as pessoas podem se estender e se refrescar durante os dias de calor.

Segundo Molina, a área é resultado de uma longa rede de água de reúso, com 11,28 km de extensão, desenvolvida para o abastecimento do próprio parque, com galerias conectadas às estações de tratamento municipais.

Ao todo, ele explica, são cinco depósitos de água com capacidade total de 5,2 mil m³/dia. De cada um, descreve o arquiteto, uma tubulação de 150 mm distribui a água até as redes secundárias de cada uma das zonas em que se divide o Madrid-Río.
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