Execução de tunnel liner | Infraestrutura Urbana

Transporte

Execução de tunnel liner

Sistema não destrutivo composto por chapas de aço corrugado permite a construção de túneis de pequena e média dimensões sem interferir na superfície ou no tráfego

Por Juliana Nakamura
Edição 18 - Setembro/2012
 
divulgação: Armco

Classificado como solução não destrutiva, o tunnel liner é uma técnica para a abertura de túneis estruturados com segmentos de aço corrugado. É indicado para a realização de obras subterrâneas em diferentes tipos de solo, especialmente em áreas urbanas. Nos últimos anos, várias aplicações foram desenvolvidas para essa tecnologia. Redes de esgotos, passagens de veículos e pedestres, passagens de cabos de telefonia e energia, além de aplicações em obras metroviárias e na mineração são alguns exemplos. Mas é especialmente em obras de drenagem de águas pluviais que o sistema vem sendo aproveitado.

Em Rio Claro (SP), por exemplo, um tunnel liner está sendo construído sob uma linha férrea, sem interrupção do tráfego de trens. A obra, que consumirá investimentos da ordem de R$ 5,1 milhões, tem 65,2 m de extensão e 4,8 m de diâmetro. A expectativa é a de que possibilite a passagem de mais de 72 mil l de água de chuva por segundo, vazão que seria suficiente para eliminar o problema de inundações na região, segundo a administração local.

O tunnel liner não é uma solução nova. Foi bastante utilizada nas décadas de 1980 e 1990, mas com o passar do tempo e com o advento de outras tecnologias, tornou-se mais competitiva em aplicações que exigem diâmetros menores e em trechos curtos. Segundo Paulo Dequech, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Não Destrutiva (Abratt), "se for fazer uma rede de 500 m ou 600 m de extensão, vale mais a pena usar uma máquina para perfuração de túneis".

divulgação: Prefeitura Rio Claro divulgação: Armco
Com investimentos da ordem de R$ 5,1 milhões, a Prefeitura de Rio Claro (SP) constrói galeria sob linha férrea da América Latina Logística (ALL) com 4,8 m de diâmetro e 65,2 m de extensão. A obra, que deve ser concluída ainda este ano, permitirá a passagem de mais de 72 mil l de água de chuva por segundo Tecnologia tunnel liner tem sido adotada, sobretudo, em redes de esgoto e em obras de drenagem de águas pluviais

Materiais
Os túneis de aço corrugado podem ser classificados quanto à forma de seção (circular, ovóide, elíptica) e também quanto ao seu revestimento (sem revestimento, galvanizado, epóxi). De forma geral, o tunnel liner é usado para a construção de túneis circulares de diâmetros entre 1,20 m e 5 m, e túneis com dimensões variadas nas formas de elipse ou ovóide. A espessura da chapa utilizada na estrutura é determinada em função do tipo de solo a ser escavado e do diâmetro do túnel.

De acordo com Luiz Naresi, especialista em fundações pesadas e geotecnia, o tunnel liner pode empregar em sua execução chapas galvanizadas nos casos em que não sejam previstas condições de utilização agressivas. Já em regiões litorâneas, industriais e na condução de esgotos sanitários e/ou despejos industriais, é indicada a adoção de chapas revestidas com epóxi. "Nesse caso, além das porcas, parafusos e ferramentas necessários à montagem, o fabricante deve fornecer pincéis e resina epóxi destinados ao retoque de eventuais pontos em que o revestimento tenha sido danificado durante o transporte ou manuseio das chapas", explica Naresi.

Produtividade e segurança
No tunnel liner a escavação é feita manualmente, e na medida em que se avança são instaladas as chapas metálicas, que cumprem a função de revestimento e contenção. Segundo cálculos da Armco Staco, fornecedora do sistema, a técnica permite escavações com avanço modular de 0,46 m ou 0,50 m e progressão rápida. Isso porque, a cada novo segmento montado de túnel é possível a imediata escavação do anel seguinte.

Em Lages (SC), por exemplo, onde recentemente foi concluído um tunnel liner para drenagem no bairro de São Cristóvão, o ritmo de escavação medido, segundo informações da Secretaria Municipal de Obras, foi de 5 m de túnel/ dia. Além disso, com área reduzida de solo exposto, o sistema oferece maior segurança ao operador na frente de escavação. Para reduzir o risco de desmoronamentos, nos flanges das chapas de revestimento podem ser fixadas escoras metálicas para apoiar escudos frontais.

Medição e controle
Segundo especificação técnica adotada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), em obras com tunnel liner a declividade e alinhamento definidos em projeto devem ser controlados por meio da topografia a cada três anéis montados. Devem ser ainda verificados, topograficamente, os pontos definidos ao longo da seção transversal do túnel, para controle das deformações no plano da frente de escavação. A forma circular dos segmentos é garantida por este controle, e de estroncas e tirantes extensíveis telescópicos que ajustam a forma dos segmentos.


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