Praça das Artes | Infraestrutura Urbana

Equipamentos Públicos

Praça das Artes

Concebido como simples edificação anexa ao Teatro Municipal, complexo cultural consolida-se como intervenção urbana de requalificação da área central em São Paulo

Por Simone Sayegh
Edição 23 - Novembro/2012
 

Nelson Kon
Entrada principal do conjunto cultural Praça das Artes, em São Paulo

Praça das Artes é o mais novo conjunto arquitetônico cultural da cidade de São Paulo, construído no chamado Centro Novo e incrustado em uma área que estava em franco processo de degradação. Inicialmente, o empreendimento foi concebido para atender à necessidade de espaço das unidades ligadas ao Teatro Municipal, como Orquestra Sinfônica, Escolas de Bailado e de Música e Coral Lírico. Portanto, quando da contratação, pensava-se apenas em um edifício anexo ao teatro. No entanto, a localização da edificação - ao lado do Vale do Anhangabaú e perto do teatro -, somada ao uso premente e intenso que se projetava para o equipamento público, transformou a escala do projeto, que se expandiu para um amplo programa de requalificação urbana.

Grande parte do complexo foi inaugurada em dezembro de 2012, e praticamente absorveu uma quadra inteira, com acesso por três ruas, dentre elas a Avenida São João, em frente ao Vale do Anhangabaú. Já conta com quatro edifícios prontos, com estrutura e vedação em concreto, destinados a sediar o Edifício Corpos Artísticos, as escolas de música e bailado, a administração, um centro de documentação, estacionamento. Um edifício a ser construído complementará o programa das escolas e abrigará um auditório e uma discoteca.

Somam-se ao conjunto um prédio tombado e o conservatório de música, que conta com uma sala de concerto de câmara cujo térreo foi convertido em sala de exposições. Junto aos edifícios, uma grande praça, ainda incompleta, justifica o nome do complexo e o apresenta à população.

 

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No total, as construções vão somar cerca de 36 mil m² de área construída com projeto arquitetônico resultado de uma parceria entre o arquiteto Marcos Cartum, do Núcleo de Projetos de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura, e o escritório paulistano Brasil Arquitetura, de Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz.

Os volumes do conjunto alternam gabaritos de dois a 13 andares e constituem blocos monolíticos de mesmo tratamento que, a partir do miolo da quadra, expandem-se até o limite das calçadas, sem recuos frontais. O térreo de cada volume foi mantido livre para reforçar as conexões entre as ruas e os diferentes grupos de necessidades, virtude indispensável a um espaço urbano. A cidade entra por essas conexões; estão previstos comércios, bancas e restaurantes no espaço, mas, nesse caso, foi a força da arquitetura necessária que mudou o tecido urbano, e não o contrário. "Todo projeto de arquitetura é urbanístico, o urbano deve nascer junto com o edifício", comenta Marcelo Ferraz.

Como o projeto foi desenvolvido após um primeiro plano de desapropriações, alguns edifícios preveem soluções que visam à absorção futura do espaço contíguo. "Algumas fachadas foram simplesmente feitas para serem posteriormente reveladas, porque o projeto foi se impondo pouco a pouco", explica Ferraz. É o caso da fachada do Edifício Corpos Artísticos voltada para o prédio do Sindicato dos Comerciários, posteriormente demolido, ou da prévia conexão com o Cine Marrocos, que agora já está reservado a servir como teatro do conjunto, e onde os edifícios serão desapropriados para uso do município.

É importante frisar que o sucesso desse plano deveu-se, sobretudo, ao reconhecimento da existência de uma necessidade real da cidade, que foi evidenciada. "Não foram inventadas necessidades para satisfazer a espaços ociosos, como muitas vezes é feito no Brasil", comenta Ferraz. Segundo o arquiteto, é comum que estações de trem, restos de terreno e galpões vazios sejam aproveitados pelas prefeituras para criarem espaços culturais sem necessidade, que ficam abandonados e desconectados da real dinâmica da cidade. "Uma boa intenção com um mau programa está fadada ao fracasso, é decretar a morte do espaço", conclui.

 

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