2. Barreira para contenção de rochas | Infraestrutura Urbana

Fundações e Contenções

2. Barreira para contenção de rochas

Sistema dinâmico utiliza rede de aço como barreira para absorver o impacto

Edição 24 - Março/2013

Áreas próximas a maciços rochosos estão sujeitas à instabilidade das rochas. A queda pode acontecer por conta da ação da vegetação, da erosão, da dilatação térmica, de abalos sísmicos, entre outras razões. Uma análise geotécnica indica a probabilidade de riscos e sua periculosidade e, com isso, aponta a necessidade ou não de um sistema de contenção.

Um desses sistemas é a barreira dinâmica, constituída por redes e malhas de aço sustentadas por postes estruturais, instalados em sentido perpendicular ao maciço. A técnica, mais disseminada na Europa, ainda é pouco utilizada no Brasil. A malha de aço é maleável e, em caso de queda de uma rocha, ela se deforma, absorve o impacto e acomoda o bloco rochoso - há soluções que suportam até 8 mil kJ de energia. O sistema é fixado na encosta do maciço - ou em outro ponto que o estudo geotécnico indicar - por meio de ancoragem adequada. Normalmente, uma barreira dinâmica tem entre 30 m e 50 m de comprimento. Confira o funcionamento do sistema.

Daniel Beneventi
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1 Mapeamento geológico-geotécnico
Para qualquer obra de contenção é feito um mapeamento geológico preliminar do maciço. Esse estudo identifica os locais críticos, faz um levantamento topográfico e gera dados para um projeto de contenção. Muitas vezes, a solução pode empregar mais de uma técnica - como ancoragem dos blocos, construção de barreira dinâmica e delimitação de área de exclusão. O posicionamento e o dimensionamento da barreira dinâmica são definidos por meio da análise desses dados. Uma das etapas importantes do projeto é a simulação das rotas de queda de rocha, feita em um software.

2 Transporte
O içamento dos postes, das malhas de aço (enroladas) e das demais peças a serem usadas para a construção da barreira pode ser feito de diversas maneiras. Conforme a área disponível na encosta do talude, a inclinação e a distância entre a obra e a base, são usados elevadores, guinchos, manipuladores telescópicos ou até mesmo transporte manual para as peças menores.

3 Postes
A altura dos postes varia entre 5 m e 6 m, os quais são instalados geralmente a cada 10 m. Feitos de aço, eles atuam de forma independente no sistema - se um deles for atingido diretamente por uma rocha e for danificado, os demais adjacentes absorvem o impacto. Os postes já contêm os furos para passagem dos cabos de ancoragem e de transpasse da malha de aço. Conforme a situação do maciço, eles podem ter uma base incorporada que vai ser ancorada na rocha ou, então, podem ser parafusados em bases previamente instaladas.

Daniel Beneventi

4 Ancoragens
O sistema é ancorado no maciço rochoso por meio de tirantes protendidos, chumbadores injetados com calda de cimento ou outras alternativas técnicas. A forma de ancoragem vai depender das características do maciço, do dimensionamento da barreira e dos esforços previstos no caso da contenção ser solicitada. Os postes são ancorados geralmente em posição transversal ao maciço ou com inclinação indicada pelo projeto. Os cabos de ancoragem normalmente incorporam dispositivos para freio ou dissipação de força.

Daniel Beneventi

5 Rede de aço
Uma barreira dinâmica típica utiliza cabos de aço em formato de círculos entrelaçados como rede principal associada a uma malha de arame, mais fechada, usada como rede secundária. Ambas atuam em conjunto na contenção e absorção do bloco rochoso. Essas redes têm geometria variável. Os fios da rede principal, primeira a receber o impacto da rocha, são geralmente compostos de aço revestido com zinco e polímero flexível. O conjunto deve oferecer alta resistência e ser maleável. A rede é transpassada em cabos de aço que atravessam os postes.

6 Sensor de controle
Se necessário, o sistema pode contar com sensores "sentinela" em tirantes estratégicos. Esses sensores indicam se o sistema recebeu alguma solicitação de força, o que indicaria a ocorrência de queda de alguma rocha e a necessidade de substituir elementos da barreira dinâmica.

Certificação
Os elementos para barreiras dinâmicas são desenvolvidos mediante ensaios e verificações em campos de prova. As normas e certificações são internacionais: entre elas, a mais importante é a certificação ETAG 27.

Por Rodnei Corsini
Fontes: Maccaferri e Geobrugg.

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