UHE Simplício entra em operação | Infraestrutura Urbana

Energia

UHE Simplício entra em operação

Complexo Hidrelétrico de Simplício tem a menor proporção entre geração de energia e área inundada do País. Obra levou seis anos e tem o maior túnel em extensão desse tipo

Por Cleide Floresta
Edição 29 - Agosto/2013

Queda única e área alagada
O Complexo de Simplício é composto por uma barragem de concreto, duas casas de força - as usinas de Anta e Simplício -, um vertedouro e o circuito hidráulico de 30 km de extensão formado por dez diques (Tocaia, Louriçal 1 e 2, Estaca 1 e 2, Antonina, Norte, Sul, Alga 1 e 2), 15 canais e sete túneis - sendo um deles com 6.040 m de extensão.

Em linhas gerais, esse conjunto funciona da seguinte maneira: da Usina de Anta, parte das águas do rio Paraíba do Sul é desviada para o circuito hidráulico a partir da barragem com comprimento de aproximadamente 250 m, de onde segue para a casa de força da Usina de Simplício, que é composta por três máquinas Francis e detém maior capacidade instalada.

A concepção do empreendimento é o de geração a fio d'água, ou seja, não há armazenamento para a redução das interferências ambientais e sociais, diminuindo neste caso a área de inundação. "Nossa barragem não é de acumulação. Então, toda a vazão do rio que chega até a usina sai pelos vertedouros, pela casa de força para geração de energia ou é desviada pelo circuito hidráulico que leva à Usina de Simplício", afirma Emídio.

Apesar disso, mesmo em períodos de seca, o complexo tem condições de produzir energia o ano todo. A principal razão está na queda única de 115 m da Usina de Simplício, que permite à unidade gerar até sete vezes mais energia que Anta quando comparada à mesma vazão de água. "Em Simplício, é possível produzir uma quantidade de energia maior com uma vazão menor por causa da queda e da concepção das máquinas, que são dimensionadas para quedas maiores", explica o engenheiro.

O desnível de 115 m do relevo do circuito hidráulico entre as usinas aumenta a velocidade da água que passa pelas turbinas. Graças a isso, foi possível garantir a potência instalada do empreendimento e fazer com que Simplício tivesse a melhor relação área alagada x MW gerado do Brasil (veja quadro 2). De acordo com Furnas, a área total de inundação do empreendimento, considerando o reservatório de Anta mais os cinco reservatórios intermediários (Tocaia, Louriçal, Calçado, Antonina e Peixe), é de aproximadamente 17,56 km², resultando em uma relação entre área inundada e potência de apenas 0,05 km²/ MW. Ainda de acordo com a empresa, se for subtraída a calha do rio, essa área cai para 10,27 km².

 

 

Municípios atingidos têm receita mensal
Os municípios diretamente
afetados pelo Complexo já receberam cerca de R$ 33 milhões - receita oriunda dos impostos sobre serviço, o ISSQN. São eles: Sapucaia e Três Rios, no Rio de Janeiro, e Além Paraíba e Chiador, em Minas Gerais.

Desde que entrou em operação, coube à usina efetivar o pagamento da Compensação Financeira pela

Utilização dos Recursos Hídricos, destinada aos municípios atingidos pelos reservatórios das UHEs. O valor dessa compensação equivale a 6,75% de toda a energia produzida mensalmente em uma hidrelétrica, sendo repartida entre Estados (45%), municípios (45%) e União (10%).

O total a ser pago é calculado segundo uma fórmula padrão:
CF = 6,75% x energia gerada no mês x Tarifa Atualizada de Referência (TAR).

A TAR é definida anualmente por meio de Resolução Homologatória da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Túnel 3
Um dos grandes desafios para a implantação do circuito hidráulico foi a construção do túnel 3, o maior já construído em uma obra desse tipo no Brasil. Com comprimento de 6.040 m e seção arcorretangular de 15 m de largura por 16 m de altura, sua execução contou com seis frentes de trabalho simultâneas e um maquinário de ponta (jumbos computadorizados), que viabilizaram sua finalização a tempo para cumprir o cronograma da obra. Ele teve início em março/abril 2007 e foi concluído em 2010.

Para construção, foram abertos inicialmente dois portais do túnel, primeiro pelo seu emboque e posteriormente pelo seu desemboque. Com a necessidade de se executar o túnel com maior rapidez e produzir volumes de rocha para atender às necessidades de outras áreas da obra - uma vez que o cronograma previa a utilização da rocha proveniente das escavações dos túneis para a construção, principalmente dos diques e revestimento dos canais de ligação - foram executadas duas janelas de túneis até o encontro do túnel 3, sendo a primeira janela com comprimento de 300 m e a segunda com 306 m. "A partir do encontro das duas janelas com o túnel, iniciou-se a escavação por mais quatro frentes de serviço, sendo duas para cada lado do túnel no encontro entre as janelas e o túnel 3", explica Reinaldo Lins de Freitas, diretor de contratos da Odebrecht.

Foto: Andre Luiz Mello
Vertedouro da usina do município de Anta, com queda de 16 m

O engenheiro explica que, em todo o túnel, foi realizado um travamento na rocha com tirantes torqueados com barras de aço de 25 mm de diâmetro, algumas chegando a 12 m de comprimento. Para garantir maior solidez e segurança dentro do túnel, posterior à execução dos tirantes, foram lançadas camadas de concreto projetado.

As escavações consistiam na perfuração da rocha, composta por uma malha de furos e dentro deles explosivos especiais para detonação. A malha de furos e a quantidade de explosivos contida foram sempre calculadas para que a detonação não ultrapassasse os limites estabelecidos no projeto. "Esse dimensionamento era fundamental, uma vez que, no decorrer dos avanços da escavação, por diversas vezes, nos deparamos com classes de rocha distintas no interior dos túneis, chegando um mesmo túnel a apresentar classes que variavam de dois até sete."

A execução ocorreu em duas etapas:
A primeira consistiu na escavação de sua abóbada contendo 16 m de largura e 7,5 m de raio em sua altura, formando um semicírculo de 88 m² de seção escavados com o auxilio de jumbos.
A segunda etapa, já com a primeira executada, partiu da escavação de uma seção retangular contendo 8,20 m de profundidade e 15 m de largura, sendo 115 m² de seção, dessa vez utilizando perfuratrizes.

 

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | Próxima >>
Destaques da Loja Pini
Aplicativos