Edifício Pátio Victor Malzoni | Infraestrutura Urbana

Equipamentos Públicos

Especial Prêmio Pini / Resultados 2013

Edifício Pátio Victor Malzoni

Edição 33 - Dezembro/2013
 

Obra de Destaque Editorial - Categoria Edificação

Marcelo Scandaroli
Edifício formado por três blocos tem vão de 44,4 m, que protege e valoriza casa construída no século 18 tombada pelo patrimônio histórico

Em um terreno de 20 mil m² na avenida Brigadeiro Faria Lima, área de localização privilegiada em São Paulo, um imponente edifício espelhado coexiste harmonicamente com uma casinha branca que retrata o estilo rural das obras paulistas do período colonial. Com uma laje central elevada a 30 m do solo e que vence um vão de 44,4 m, o edifício Pátio Victor Malzoni forma uma "moldura" que valoriza a construção bandeirista do século 18, tombada em 1982 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). Pela arrojada solução arquitetônica e os desafios construtivos que o desenho impôs a seus projetistas, o Pátio Victor Malzoni venceu o Prêmio PINI na categoria Obra de Destaque Editorial. A construção do edifício ficou a cargo da Brookfield.

Suas características peculiares lhe renderam notoriedade no meio técnico e imobiliário, tornando-o um dos empreendimentos mais caros da cidade. Com projeto de arquitetura assinado pelo escritório Botti Rubin e Associados, o Pátio Victor Malzoni tem a fachada revestida predominantemente com vidros semirrefletivos - o vão é refletivo, criando um elemento de valorização da casa, que passou por um processo de reconstrução e restauração com a autoria da arquiteta e historiadora Helena Saia. A altura do vão central também foi pensada com essa finalidade, tornando a travessia mais agradável, já que os pedestres podem cruzar uma rua a outra do quarteirão por um jardim central, mantendo contato com a construção tombada. "A ideia não é criar uma praça pública, mas um elemento de passagem tranquila, para que as pessoas possam ir de um lado ao outro e tenham contato com a casa bandeirista, que é o elemento fundamental", explica o arquiteto Alberto Botti.

A preocupação com elementos sustentáveis foi outro aspecto que norteou o desenvolvimento do projeto para o edifício, que conquistou em 2012 a certificação Leed Core & Shell Prata, concedida pelo Green Building Council. Terraços nas faces sul e norte da fachada central barram o impacto direto da luz, que também é filtrada pelos vidros de alta performance (low-e). As lajes e fechamentos de alvenaria foram revestidos com um tipo de vidro mais econômico. Os vidros têm coloração diferente para a janela e a laje, proporcionando um efeito estético diferenciado. A fachada ainda conta com caixilhos para proteção contra incêndio, de acordo com exigência do Corpo de Bombeiros, que permanecem fechados e se abrem automaticamente na detecção de fumaça.

Edifício
O terreno ocupa uma quadra inteira, e os recuos são maiores que o mínimo exigido. O prédio foi erguido mais próximo à avenida Faria Lima, com a entrada apenas por essa via. A face oposta do edifício tem um recuo maior, que foi aproveitado como jardim.

A parte do terreno com potencial construtivo tem formato de "U" e cerca a área tombada, que deveria ser preservada por um raio de até 10 m ao seu redor, inscrevendo uma área de 2 mil m² que não poderia receber qualquer construção. Nas extremidades do terreno ficam os blocos de garagem e, acima, os blocos de 19 andares correspondentes, que são ligados no nono andar pelo chamado bloco de transição C - o que permite o vão central - por onde sobem mais doze pavimentos. Os blocos totalizam uma área de 5.200 m². Quatro juntas de dilatação foram executadas entre os blocos.

O edifício foi erguido sobre fundações em sapata direta - 43 ao todo. As escavações atingiram 18 m de profundidade para a construção de seis subsolos abaixo dos blocos A e B. Para um pilar específico a fundação foi feita em estaca-raiz, já que a solução em sapata invadiria a área tombada da casa. A escavação chegou a 12 m de profundidade, sendo 8 m de solo e 4 m de rocha.

 

Fotos : divulgação JKMF
Vigas de transição em T tinham 6 m de altura e alta densidade de armaduras, que exigiu o emprego de concreto autoadensável de 50 MPa. Após a concretagem, os elementos foram protendidos

 

As lajes são de concreto armado nos subsolos e no térreo. Nos pavimentos-tipo as lajes foram executadas com concreto protendido, com exceção da primeira laje do bloco C, de transição, acima das grandes vigas de 44,4 m.

 

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