Manejo de águas pluviais no estádio Mané Garrincha | Infraestrutura Urbana

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Manejo de águas pluviais no estádio Mané Garrincha

Sistema de captação, tratamento e reaproveitamento de água do estádio Mané Garrincha pretende atender 100% da demanda da arena para fins não potáveis. Economia com manutenção pode chegar a R$ 250 mil/ano. Conheça o projeto

Por Marina Pita
Edição 36 - Março/2014

Um sistema inovador de manejo integrado de água pluvial deve tornar o Mané Garrincha 100% independente da rede pública de fornecimento. O projeto faz uso de tecnologias de ponta para retenção de água da chuva e reutilização para uso não potável. Não à toa, este pode ser o primeiro estádio do mundo a conquistar a certificação Platinum do Leed, índice máximo de sustentabilidade, já requerida ao U.S. Green Building Council (USGBC).

Mas a inovação não virá para a Copa do Mundo de 2014. O processo licitatório do projeto de urbanização do entorno do estádio, onde o sistema de manejo será implantado, foi licitado em 03 de fevereiro de 2014 e, até o fechamento desta edição, as propostas das empresas habilitadas ainda estavam em avaliação, sendo provável que os serviços de engenharia só sejam iniciados depois do torneio mundial.


Imagem: Benedito Abbud Arquitetura Paisagística

De qualquer modo, não foi para atender a sete partidas da Copa no Brasil que o sistema de manejo foi projetado. As soluções visam a diminuir ao máximo os custos de manutenção da arena ao longo de sua vida útil, mesmo que isso signifique algum custo adicional em seu projeto e construção. O sistema de captação, tratamento e reaproveitamento de água deve gerar uma economia de R$ 250 mil/ano aos cofres públicos e garantir a destinação de água potável apenas para o consumo humano.

O manejo de água de chuva envolve dois créditos da Certificação Leed. O primeiro (6.1) diz respeito à redução do volume de água escoado pelo empreendimento, enquanto o segundo (6.2) refere-se à melhoria da água escoada. Tais critérios foram premissas tanto do projeto de arquitetura, assinado pela Castro Mello Arquitetura Esportiva, quanto do projeto de paisagismo, de Benedito Abbud - Arquitetura Paisagística, que, juntos, nortearam a empresa contratada para o desenvolvimento do sistema de manejo integrado de água pluvial, a Fluxos Design Ecológico.

Na prática, os conceitos significam que 1) a água da chuva não deve ser tratada como algo a levar para longe o mais rápido possível, mas deve ser absorvida já onde ocorre a precipitação; 2) os volumes excedentes que forem escoados devem ser tratados porque, do contrário, se tornam importantes fontes de poluição dos rios.


ESPLANADAS
Áreas laterais das esplanadas receberão canteiros rebaixados para escoamentos superficiais
Divulgação: Fluxus Design

Inicialmente, o projeto previa a captação da água da chuva na cobertura e no campo (área com cerca de 65 mil M²). Os volumes seriam armazenados em duas cisternas e usados para fins não potáveis, como a irrigação do gramado. Esses dois pontos de captação garantiriam 60% do volume previsto para ser consumido pelo empreendimento, em caso de uso pleno - 16 mil m3 de água por ano, considerando uma ocupação máxima de 32 mil pessoas em intervalos de 15 dias.

A total independência do sistema de abastecimento no caso de água para uso não potável foi alcançada em uma segunda fase. Os esforços empreendidos no sentido de conter e melhorar a qualidade da água da chuva nas áreas externas (de 645 mil M²) se mostraram tão bem-sucedidos que o caminho natural foi avançar para sua reutilização.

"O que fizemos foi aproveitar aquilo que o projeto paisagístico já oferecia - os lagos - juntamente com aquilo que já existia no projeto de arquitetura e trabalhar com manejo pluvial. Integramos os sistemas externos e internos - e nos demos conta de que havíamos superado as exigências do Leed em termos de redução do volume escoado e melhoria da qualidade da água", explica Guilherme Castagna, responsável pelo projeto na Fluxus Design Ecológico.


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