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Porto de Natal: reformado e ampliado

Enrocamento de 15 m de profundidade construído durante a II Guerra Mundial desafia fundação do novo terminal marítimo de passageiros de Natal, que receberá turistas durante a Copa. Saiba quais as tecnologias de ponta adotadas na empreitada, com previsão de entrega para este mês

Por Marina Pita
Edição 38 - Maio/2014
Divulgação: Portal da Copa
Vista aérea da obra do Porto de Natal mostra passarela de serviço interligando dolfim de amarração e berço de atracação com retroárea. Na edificação ao centro, com cobertura metálica, vê-se construção do terminal de passageiros. Ao fundo, restauração do antigo frigorífico

Criado em 1932, o Porto de Natal (RN) administrado pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) está em fase conclusiva de obras e deve entrar em operação neste mês. A reforma - que incluiu execução de dragagem, ampliação do cais e a construção de um terminal marítimo de passageiros, entre outros serviços - tem a finalidade de adequar o porto para receber navios de porte maior, incluindo embarcação de passageiros. A expectativa é que o tamanho dos navios atracados triplique - de 20 mil t para 60 mil t - e a movimentação de cargas passe de 400 mil t para um total de 1,15 milhão de toneladas.

Um dos grandes desafios do projeto de engenharia foi a fundação do Terminal Marítimo de Passageiros. O primeiro cais, estruturado sobre o projeto inicial, foi construído na década de 1950, quando o porto foi utilizado pelos Estados Unidos para as atividades militares da Segunda Guerra Mundial. Porém, as sondagens realizadas para desenvolvimento do projeto básico e edital de contratação das obras da atual reforma não detectaram todos os elementos estruturais construídos naquela época. Apenas as sondagens realizadas posteriormente identificaram que a estrutura do antigo cais tem seu apoio por uma viga de contenção sobre uma camada de enrocamento de pedras que, em alguns casos, ultrapassam 15 m de profundidade, algo bastante incomum na engenharia nacional.

A camada de enrocamento fatalmente danificaria as estacas pré-moldadas durante a penetração no solo. Desta forma, a solução prevista no edital tornou- se inviável, sendo recomendada, do ponto de vista técnico, a mudança da metodologia de execução para estacas raiz. "Pela característica do perfil geológico, a única tecnologia possível de ser executada era a fundação com estaca raiz, porque os equipamentos utilizados são mais específicos e conseguem vencer o enrocamento", explica Cleberson Oilton Tomazini, gerente de contrato de obra da Constremac, empresa líder do consórcio que venceu a licitação para ampliação do Porto de Natal.

Divulgação: Constremac
Fechadas com cimento para que flutuassem, as estacas foram transportadas pelo rebocador até o local de cravação

Constatada a necessidade de mudança, foi preciso revisar o contrato e, então, elaborar o projeto executivo para a fundação. Foram colocadas 191 estacas raiz de diâmetro de 410 mm e comprimento de 30 m a 46 m. A Constremac já havia utilizado a tecnologia nas obras do Porto de Santos e tinha experiência nesse tipo de obra. No caso do trecho do enrocamento, as estacas ainda receberam uma proteção de tubo metálico. A solução, também conhecida como camisa perdida, além de proteger a estaca de possíveis movimentações das pedras, tem a finalidade de garantir a estanqueidade do fuste, evitando a fuga de material durante a concretagem, um risco por conta dos vazios existentes na camada de enrocamento.

Para execução da fundação do Terminal Marítimo de Passageiros, foi necessário buscar perfuratrizes de alta capacidade. Ainda assim, a Constremac enfrentou constantes quebras de equipamentos durante a execução. "Esse fato acabou afetando nosso cronograma de construção", afirma Tomazini.

A edificação do terminal é composta de estrutura de concreto armado, com algumas peças protendidas (lajes e vigas) para vencer os grandes vãos e deixar a estrutura mais leve. A cobertura é em estrutura metálica.

A pedido do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), além da construção do novo terminal de passageiros, a obra incluiu a reforma do galpão que abrigava o antigo frigorífico do porto (com 520 m²) e o armazém seco (com 1.875 m²).


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