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Conheça o projeto do BRT MOVE, corredor expresso de ônibus de Belo Horizonte, que deve entrar em operação integralmente neste mês

Conheça o projeto do corredor expresso de ônibus de Belo Horizonte, que deve entrar em operação integralmente neste mês

Por Aline Reskalla
Edição 39 - Junho/2014
Jomar Bragança
BRT Move na área central em estação de integração

Maior projeto de transporte público de Belo Horizonte desde a construção do metrô, na década de 1970, o sistema de Bus Rapid Transit (BRT), batizado de Move pela prefeitura, completa em junho três meses de operação parcial com obras em andamento e em fase de ajustes. O investimento total no sistema já alcançou R$ 1 bilhão.

Os ônibus articulados que prometem reduzir em até 50% o tempo de viagem dos passageiros das principais regiões da capital mineira e região metropolitana até o centro circulam por três corredores principais, que podem ser considerados a espinha dorsal do sistema.

O corredor central é formado pelas avenidas Santos Dumont/Paraná. O trecho tem 1,3 km e é o grande articulador dos outros dois corredores do BRT. Um deles é a avenida Antônio Carlos, por onde os torcedores chegarão até o Mineirão para assistir aos jogos da Copa do Mundo, com um total de 14,6 km de extensão.

O outro, a avenida Cristiano Machado, tem 7,1 km e liga o centro à região Norte, considerado o novo eixo de desenvolvimento econômico de Belo Horizonte e região, e onde está o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins.

O BRT do centro recebeu investimentos de R$ 58 milhões. As principais intervenções foram a transformação da avenida Santos Dumont em pista exclusiva para os ônibus do Move, a construção das seis maiores estações de todo o sistema e a requalificação do entorno. Por ali, a expectativa é que 20 mil pessoas circulem a cada hora. Nos horários de pico, esse número pode alcançar 40 mil passageiros/hora.

O superintendente de planejamento e pesquisa da Empresa de Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), Rogério Carvalho Silva, afirma que os corredores Cristiano Machado e Antônio Carlos vão transportar 750 mil usuários por dia quando estiverem em pleno funcionamento - o que está previsto para este mês -, incluindo os ônibus metropolitanos. Esse número corresponde a 30% do total de passageiros que dependem do transporte público em Belo Horizonte e região metropolitana. No dia 26 de abril, com a implantação de novas linhas na terceira etapa de inaugurações, o Move passou a atender a 53 mil passageiros por dia, contando com os ônibus das outras cidades da região metropolitana.

SEÇÕES-TIPO

Desenho de projeto
Em um projeto grandioso como o Move, não faltam desafios às equipes de engenharia. Para o superintendente da BHTrans, um deles foi adaptar as estações de embarque e desembarque à topografia. "Em alguns casos, houve a necessidade de fazer as estações de embarque e desembarque em curva", explica.

Ele cita também o desafio do próprio sistema de transporte, de eliminar, criar e gerenciar linhas. "Optamos por criar não uma linha só de BRT, mas de um feixe de linhas de forma a preservar ligações preexistentes entre os bairros para não obrigar o passageiro a ir ao centro sem precisar. Com isso, vamos ter linha BRT pura (troncais) e linhas que circulam nos bairros (alimentadoras), entram nos corredores e depois passam em outro corredor. Por isso, parte dos ônibus teve que ser adaptada para ter portas à direita e à esquerda porque operam também fora do sistema", afirma Rogério Carvalho Silva.

Segundo ele, a geometria dos corredores não precisou ser modificada porque nas duas avenidas principais do BRT - Cristiano Machado e Antônio Carlos - já havia a pista exclusiva para ônibus nas vias. "Isso foi um facilitador."

A Tecnotran Engenheiros Consultores foi responsável por todo o projeto de engenharia das linhas de ônibus e também de infraestrutura. O sócio-proprietário da empresa, André Barra, explica que, na Cristiano Machado, as estações foram construídas onde foi possível ganhar uma faixa de estacionamento dos veículos. Isso porque os entrepostos, localizados no centro da pista, tinham duas faixas por sentido (de 3,5 m cada uma), destinadas aos ônibus articulados do BRT, mantendo as três faixas preexistentes para circulação de carros.

O pavimento de toda a extensão do BRT foi trocado. O engenheiro Hildan Godoy, que fez os projetos executivos para a Tecnotran, explica que sobre uma sub-base de 10 cm de concreto compactado com rolo foi aplicado o revestimento base PCC e as placas de concreto de cimento Portland com 21 cm de espessura, devidamente dimensionadas para suportar o fluxo pesado.


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