Recife lança plano diretor cicloviário | Infraestrutura Urbana

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Planejamento urbano

Recife lança plano diretor cicloviário

Documento estabelece diretrizes para criar mais de 240 km de ciclovias interligando 14 municípios

Por Jamila Venturini
Edição 41 - Agosto/2014
Divulgação: Tectran Divulgação: Tectran

O crescimento da frota de carros particulares associado à ausência de políticas públicas consistentes de mobilidade urbana tem sido fator crítico à mobilidade nas grandes cidades brasileiras. No Estado de Pernambuco, o aumento do número de carros entre 2000 e 2013 foi de 115,6% e, em Recife, de 84,7%, segundo o Departamento de Trânsito de Pernambuco (Denatran-PE).

Para reverter esse cenário, foi lançado em fevereiro o Plano Diretor Cicloviário da Região Metropolitana do Recife (PDC) - o primeiro do País. O objetivo é "converter a bicicleta em um meio de transporte metropolitano cotidiano". Segundo Rosaly Almeida, coordenadora do Escritório da Bicicleta de Pernambuco, o plano apresenta um estudo técnico detalhado e estabelece diretrizes para a implementação das ações que já estavam previstas. "É o resultado da necessidade do Estado de Pernambuco de ver ações concretas na região metropolitana para desenvolver toda a infraestrutura cicloviária", diz.

O PDC é resultado do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) da região que, em 2008, estabeleceu a meta de desenvolver ações de promoção do uso do transporte público e de outros modos de transporte não motorizados. Nesse sentido, foi aprovada uma Política Estadual de Mobilidade por Bicicleta (Lei 14.762/2012) e estabelecido o Programa de Apoio ao Uso da Bicicleta e ao Ciclista, Pedala PE (Decreto 38.499/2012).

Desenvolvido pelo consórcio Tectran/ Idom, o plano cicloviário recifense propõe ações de gestão para os próximos dez anos, incluindo o estabelecimento de uma rede cicloviária que integre os 14 municípios da Região Metropolitana de Recife (RMR), além de linhas estratégicas: educação, campanhas, legislação e gestão.

Divulgação: Tectran

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Rede cicloviária
O Plano propõe a constituição de uma rede cicloviária de caráter metropolitano que atenda à demanda identificada nos estudos de diagnóstico, detalhados a seguir. A proposta é de integração com o sistema de transporte coletivo de modo que a estrutura prevista atenda a todos os terminais de metrô e ônibus identificados, buscando, assim, incentivar a integração intermodal

A rede se divide entre uma rede cicloviária metropolitana, responsável pela articulação municipal e composta por 244,98 km de ciclovias; e de uma rede cicloviária complementar formada por ciclovias (76%), ciclofaixas (9%) e ciclorrotas (15%), num total de 346 km.

As ciclofaixas foram evitadas devido à recomendação do Ministério das Cidades de que "trata-se de espaço para bicicletas com baixo nível de segregação em relação tráfego lindeiro e apresenta menor nível de segurança aos ciclistas com maiores ocorrências de acidentes e conflitos". Quando previstas, as ciclofaixas devem ser sempre unidirecionais e situadas no bordo direito da via do tráfego automotor. Outra alternativa proposta foram ciclovias segregadas em calçadas, desde que haja espaço suficiente nos passeios públicos.

O texto destaca que algumas das vias propostas passam por trechos onde "o sistema viário é inexistente ou há necessidade de desapropriações para promoção da continuidade do sistema cicloviário". Isso ocorre porque algumas vias no entorno encontram-se saturadas. Apesar disso, prevê-se que, caso não seja possível a implantação, sejam utilizadas vias paralelas e, se necessário algum desvio, recomenda- se que não estejam a uma distância superior a 500 m da rota proposta.

Além disso, no traçado foi considerado o sistema cicloviário existente. Em alguns trechos, porém, a estrutura foi avaliada como insatisfatória e, nesses casos, propôs-se sua readequação e requalificação. Em algumas situações foi proposta a alteração de tipologia de ciclofaixa para ciclovia.


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