Saúde regional | Infraestrutura Urbana

Saneamento

Editorial

Saúde regional

Edição 42 - Setembro/2014
 

[A regionalização da saúde propõe um pacto entre os gestores das três esferas governamentais para superar falhas do processo histórico de municipalização autárquica deste setor, em que o gerenciamento dos sistemas e unidades locais foi transferido às administrações municipais]

 

Os hospitais que oferecem atendimento pela rede do Sistema Único de Saúde (SUS) são geralmente associados a complexos de baixa qualidade, com falta de equipamentos e infraestrutura básica. Na busca de soluções que revertam essa associação, vale observar o complexo hospitalar que dá capa a esta edição: o Hospital da Restinga e Extremo Sul, em etapa final de obras e já em operação em Porto Alegre. Ao custo de R$ 4,6 milhões mensais - financiados pelos governos federal (50%), estadual (25%) e municipal (25%) - a instituição oferece atenção terciária (ou seja, de elevada especialização, com alta tecnologia e alto custo) realizada integralmente pelo sistema público de saúde. O complexo abarca um centro de especialidades, centro de diagnóstico e exames, unidade de terapia intensiva, emergência, consultórios, bloco cirúrgico, maternidade, serviço de fisioterapia e internação adulta e pediátrica, além de uma escola de gestão em saúde.

Com tais características, o empreendimento responde a duas tendências amplamente defendidas no meio técnico para aprimoramento da saúde no País: a regionalização dos serviços e a integração entre os sistemas público e privado. A regionalização da saúde propõe um pacto entre os gestores das três esferas governamentais, com definição de responsabilidades coletivas, para superar falhas do processo histórico de municipalização autárquica deste setor, em que o gerenciamento dos sistemas e unidades locais foi transferido às administrações municipais, majoritariamente de pequeno porte e sem racionalidade técnica ou econômica para construírem redes assistenciais adequadas ao atendimento equânime da população. Já a integração, soma outro agente: a rede privada. A construção do Hospital da Restinga ficou a cargo do Hospital Moinhos de Vento, que investiu R$ 110 milhões na obra, oriundos de isenção fiscal do Governo Federal, assumindo a gestão do complexo. A avaliação das condições qualitativas de operação deste empreendimento hospitalar nos próximos anos demonstrará a eficiência, ou não, da construção de sistemas regionais com participação solidária dos entes federados e do mercado, na garantia da integralidade da atenção à saúde.

Mirian Blanco
editora

 

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