Urbanização do Jardim Colombo, em São Paulo, abre espaço para parque linear em área adensada e sujeita a cheias | Infraestrutura Urbana

Urbanismo

Urbanização do Jardim Colombo, em São Paulo, abre espaço para parque linear em área adensada e sujeita a cheias

Por Marina Pita
Edição 42 - Setembro/2014
 

Áreas de grande densidade populacional, ocupadas sem diretrizes prévias de planejamento, conformam conglomerados urbanos de difícil intervenção. O projeto de urbanização do bairro Jardim Colombo, que faz parte do complexo de Paraisópolis, na zona Sul de São Paulo, é um exemplo dessa condição.

Por lá, uma área de 148 mil m² e cerca de 8,5 mil moradores contava com cerca de 390 unidades habitacionais debruçadas sobre o Córrego Colombo, de saneamento precário e com frequentes inundações. O bairro sofre com a ausência de vias de acesso ao transporte público, falta de equipamentos de esporte e lazer, e carece de edificações adequadas para uso institucional pelo poder público.

O projeto elaborado pela Levisky Arquitetos - Estratégia Urbana, e concebido a partir do Programa de Urbanização de Favelas da Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo, é norteado pela necessidade de reconciliar a população e o córrego local, de forma a oferecer qualidade de vida para os moradores na área de intervenção, de 66,5 mil m².

Para isso, um parque linear foi projetado para o perímetro do entorno do córrego, numa solução que, ao proteger o curso d´água (área de non-aedificandi) e fazer de suas margens uma região de lazer e convivência, integra soluções de urbanismo, meio ambiente, transportes, saneamento e engenharia hidráulica. Assim, foi prevista a canalização, de forma a conduzir as cheias centenárias, mas também a transformação do entorno em equipamento urbano. A opção da arquiteta titular do projeto, Adriana Levisky, foi pela canalização aberta e criação de um parque linear com mobiliário urbano, iluminação pública, playground, equipamentos esportivos e de lazer, serviços públicos e novas unidades de uso misto.

Projeto de implantação

Para a garantia de moradia da população removida da área de risco, o local foi classificado como Zona Especial de Interesse Social (Zeis) e está prevista a implantação de 149 novas unidades habitacionais e 25 novas unidades comerciais (no pavimento térreo). As edificações estarão dispostas em três núcleos de conjuntos habitacionais e contarão com quatro torres.

A intervenção mudará o uso do solo de 85% residencial para apenas 10% residencial, 30% de uso misto (residencial mais comercial) e 60% para uso institucional.

Implantação em curso
O projeto será realizado em duas fases. A primeira, já iniciada, conta com intervenções na região de acesso ao bairro, de onde parte o parque linear Jardim Colombo. Integrado às margens do córrego, a área contemplará novo mobiliário urbano com bicicletário, mesas, bancos e equipamentos de ginástica, áreas de estar e atividades de convivência, playground com brinquedos em madeira sobre base de piso emborrachado, áreas ajardinadas e vegetação de pequeno e de médio portes.

Ainda na primeira etapa estão previstas abertura de novas ruas e alargamento de vias existentes, além de nova pavimentação dos passeios públicos. "As obras contribuirão para uma melhor circulação pelo bairro, privilegiando o passeio peatonal", explica Levisky.

O projeto em sua primeira etapa também prevê um lote para edifício Institucional de Saúde, uma das necessidades do bairro, conforme apontado pelos moradores. Por obrigação legal, o poder público precisa constituir um conselho gestor da Zeis, que conte com a participação das lideranças locais, do poder público e dos responsáveis pelo projeto e pela obra. "Por meio desse diálogo, o projeto foi sendo adequado", explica Levisky.

 

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