Barragem Gameleira deve triplicar a capacidade de acúmulo de água em município cearense. Veja a planilha orçamentária do empreendimento | Infraestrutura Urbana

Saneamento

Barragem Gameleira deve triplicar a capacidade de acúmulo de água em município cearense. Veja a planilha orçamentária do empreendimento

Por Gisele Cichinelli
Edição 42 - Setembro/2014
 

Divulgação: Sohidra

Com capacidade de acumulação de 52,64 milhões de metros cúbicos de água, a Barragem Gameleira, no Ceará, foi projetada para suprir a demanda de água para abastecimento público do município de Itapipoca (com cerca de 122 mil habitantes) e das comunidades rurais de suas proximidades. Segundo o Governo do Estado do Ceará, responsável pela obra, entregue em setembro de 2013, esse volume de água será suficiente para preencher o vazio hídrico existente, até então armazenado pela Barragem Poço Verde (responsável por 13,6 milhões de metros cúbicos) e pela Barragem Quandu (responsável por 4 milhões de metros cúbicos).

"Com o represamento do rio Mundaú, também será possível desenvolver a atividade de piscicultura, gerando substancial suplemento desse alimento e também atividades de lazer, criando consequentemente um polo de desenvolvimento regional", acredita Antonio Madeiro de Lucena, diretor de águas superficiais da Superintendência de Obras Hidráulicas do Governo do Ceará (Sohidra).

Ao todo, foram investidos cerca de R$ 42 milhões no empreendimento, com recursos provenientes do Projeto de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos do Estado do Ceará (Progerirh), financiados pelo Banco Mundial (R$ 18 milhões) e Governo do Estado, que aportou cerca de R$ 24 milhões. Também foram injetados cerca de R$ 18 milhões, provenientes do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), mais conhecido como Banco Mundial, e do Tesouro Estadual, na construção de um sistema adutor com extensão de 32,26 km composto de captação, adução, tratamento e reservação.

Atualmente, a barragem atua com nível de água de 12,51 milhões de metros cúbicos (correspondente a 23,77% do volume total), o que garantirá o abastecimento da região por três anos consecutivos, independentemente das próximas precipitações pluviométricas. Futuramente, a obra também atenderá aos municípios de Trairi e Tururu. Conheça as principais características técnicas da barragem.

 

Projeto
Concebida com fins de utilização múltipla, a barragem Gameleira atenderá simultaneamente à demanda de abastecimento da população e das unidades agropastoris e agroindustriais locais, em planejamento. O projeto contempla um conjunto de obras que inclui um maciço de terra homogênea, vertedouro tipo Creager em concreto estrutural, canal de aproximação escavado em solo (de 80 m de largura e 40 m de extensão), canal de restituição (de 80 m de largura e 210 m de extensão) e uma bacia de dissipação (de 20 m de extensão e 80 m de largura) executada em concreto estrutural, além de uma tomada d'água.

Complementam a obra dois muros de proteção ao maciço terroso (muros alas direito e esquerdo) que estão solidários ao perfil Creager na função de contenção lateral, com alturas máximas de 19 m e extensão de 70,74 m, também executados em concreto estrutural.

No projeto original, o vertedouro deveria ser construído na ombreira esquerda do vale. No entanto, devido à presença de uma formação geológica quartoza de pouca resistência, optou-se por deslocá-lo para próximo do leito do rio Mundaú.

Nesse local, explica Lucena, da Sohidra, o substrato rochoso apresentava características mais favoráveis para absorver todas as estruturas de aglutinação de um vertedouro. "Inclusive quando das cheias decamilenares (T.R. = 10.000 anos)", observa.

O novo posicionamento foi definido com base em estudos geológico/geotécnicos, que caracterizaram o subsolo do eixo barrado, suas condições geomecânicas e a resistência à erosão do maciço da fundação, assim como as principais implicações geotectônicas da implantação das principais obras, com destaque para as fundações de assentamentos do maciço da barragem, vertedouro e tomada d'água.

Conformado por um canal escavado com perfil Creager e pela bacia de dissipação, o vertedouro possui 80 m de largura e 15 m de altura e foi projetado para amortecer uma vazão máxima de água de 405 m³. Sua execução foi em concreto estrutural convencional, consumindo 9.816,00 m³ de concreto. "Foi a opção mais compatível para esse tipo de estrutura, devido à magnitude da obra e às condições geológica e geotécnica local", explica o engenheiro, lembrando que "o novo local de implantação fica praticamente inserido na seção máxima, aliando-se à integridade do maciço solidário, os dois muros de proteção contra um perfil rochoso competente", completa.

Com o represamento do rio Mundaú, a população localizada a jusante do barramento terá seu fornecimento de água em todo traçado do rio feito por meio de uma descarga de fundo da tomada d'água, dispositivo composto por uma tubulação de 700 mm de diâmetro e 96,64 m de comprimento (incluindo entrada e saída), localizada dentro do muro direito do vertedouro e envolvida por concreto armado.

Para evitar a passagem de material nocivo ao sistema, no lado extremo dessa tubulação foi instalado um crivo (peça constituída de ferro com pequenos furos). No lado de jusante foram instalados dois registros de gaveta e uma válvula para operação da tomada d'água. Também foi implantada uma caixa de jusante em concreto armado, constituída de três câmaras, com a finalidade de dissipar a energia da fluidez da água da descarga, e finalmente um triângulo medidor de vazão na última câmara, para controlar a quantidade de água a ser disponibilizada para a população localizada abaixo do barramento (jusante).

 

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