Em vias urbanas com corredores de ônibus, ligação entre pavimentos rígido e flexível exige sistemas de transição para evitar trincas | Infraestrutura Urbana

Transporte

Em vias urbanas com corredores de ônibus, ligação entre pavimentos rígido e flexível exige sistemas de transição para evitar trincas

Por Tati Seoane
Edição 42 - Setembro/2014
 

divulgação: Consorcio Transcarioca

A especificação de pavimento de concreto em corredores de ônibus, especialmente onde trafegam veículos biarticulados e triarticulados, está consolidada no País, dada a capacidade do sistema rígido em suportar cargas altas. Porém, a implantação dessas faixas em vias asfálticas já existentes impõe uma série de cuidados técnicos por conta da diferença de rigidez entre as estruturas de concreto e de asfalto, que provocam movimentações verticais distintas.

Para estas áreas de transição, o projeto deve compatibilizar a dilatação ou contração de dois materiais diversos que, com a variação de temperatura e de reação às cargas, podem responder de formas diferentes um do outro.

Segundo explica Ricardo Pereira, diretor de desenvolvimento de projetos da SPObras, as falhas mais comuns da junção imprecisa de pavimentos rígido e flexível são o aparecimento de degraus entre as pistas, fissuras, infiltração de água e entrada de poeira - que causam trincas.

Assim, de acordo com Carlos Suzuki, professor-doutor e mestre em engenharia de transportes, é preciso projetar sistemas de transição da rigidez entre a estrutura asfáltica e rígida para reduzir pontos onde a movimentação vertical possa gerar trincas e patologias como afundamentos e degraus. Para essas transições, as soluções mais comuns são: juntas longitudinais serradas e preenchidas com selante mástique, à base de poliuretano; e lajes de transição.

As juntas longitudinais, aplicadas em sentido perpendicular à direção do tráfego dos ônibus, constituem-se de uma placa de concreto com espessura variável. Já a junta transversal, paralela ao sentido do tráfego, se vale do prolongamento da camada de concreto compactado a rolo.

Para se garantir a perfeita união entre pavimentos rígido e flexível, deve-se detalhar o projeto tanto das juntas transversais quanto das longitudinais. "No caso das juntas transversais, sugerimos que na laje de aproximação exista barra de transferência", explica Pereira. A laje de aproximação constitui-se de uma camada de concreto que, devidamente instalada, evita uma transição brusca.

"Este tipo de instalação é de extrema importância porque transfere os esforços sem prejuízo à laje seguinte e garante a rigidez da placa", completa. As barras de transferência de carga são instaladas geralmente a uma distância de 20 cm entre elas, com um lado fixado no concreto e outro mergulhado em óleo, o que possibilita seu movimento.

Já no caso das juntas longitudinais, o mais recomendável é a aplicação de laje rígida de transição, porém sem a necessidade de barra de transferência, dado que não há ação do tráfego sobre esta. Porém, os sistemas longitudinais exigem a implantação do mástique, material bastante flexível e, ao mesmo tempo, aderente às duas superfícies. "Quando há uma movimentação por variação térmica, ele é capaz de acompanhar, sem que se crie uma trinca por onde vai percorrer a água e, assim, danificar o pavimento."

 

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