Desperdício de água ainda é expressivo nas redes de tubulação. Solução está diretamente relacionada à adoção de processos de gestão e fiscalização | Infraestrutura Urbana

Saneamento

Gestão hídrica

Desperdício de água ainda é expressivo nas redes de tubulação. Solução está diretamente relacionada à adoção de processos de gestão e fiscalização

Por Maryana Giribola
Edição 43 - Setembro/2014
 

Divulgação Sanasa
Para minimizar perdas em reservatórios é importante contar com sistema de telemetria ou telecomando, além da automação da operação envolvendo vazão, nível de água e pressão

Embora os níveis de desperdício de água no País tenham caído de alguns anos para cá, as perdas no sistema de abastecimento e distribuição ainda são muito expressivas. De 2004 até 2012, o desperdício medido pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, caiu de 45,6% para 36,94%. A taxa, preocupante, pode ser ainda maior. Pela falta de equipamentos e metodologias adequadas de macromedição e micromedição, as empresas acabam calculando indicadores distorcidos (veja, à parte, o mapa com as medições).

Embora as perdas sejam um problema de engenharia, o principal gargalo para a redução desses índices é, fundamentalmente, uma questão de gerenciamento. "A não associação da engenharia com a gestão é um equívoco. Em geral, as empresas de saneamento estão à margem dos programas de combate às perdas. Elas estão mais preocupadas com obras de ampliação da oferta, em vez de combaterem a demanda", explica Mario Augusto Baggio, sócio gerente da Hoperações e Consultoria. É sempre mais econômico, diz ele, conter a demanda reduzindo perdas do que ampliando a oferta.

A comparação entre regiões brasileiras mostra que algumas concessionárias, no entanto, têm adotado mo delos de gestão mais eficientes, a exemplo da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), com índice de desperdício de 26%, da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), e da Sociedade de Abastecimento de Água e Esgoto (Sanasa), que mesmo com a crise hídrica na região metropolitana de Campinas e nos municípios que integram as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), tem hoje um índice de perdas de 19,2%. O padrão mundial considerado aceitável é de 10% a 15%.

Engenharia sanitária
Atrelada a uma gestão eficiente, há várias formas de se combater as perdas que ocorrem nas tubulações. Os desperdícios decorrem de perdas reais (físicas) ou aparentes. As reais são caracterizadas pelos vazamentos em tubulações da rede de distribuição, provocadas geralmente pelo excesso de pressão em sistemas com grande variação topográfica.

Os vazamentos também estão associados à qualidade dos materiais utilizados nas redes de distribuição, à idade das tubulações, à qualidade da mão de obra, entre outros fatores. Além disso, essas perdas ocorrem nos ramais das ligações prediais, nos extravasamentos de reservatórios e nas operações de descargas das redes de distribuição, assim como na limpeza de reservatórios dos prestadores de serviços.

Já as perdas aparentes, por sua vez, são referentes aos volumes de água efetivamente consumidos pelos usuários, mas que, devido a uma série de fatores, não puderam ser contabilizados e faturados pelo prestador de serviço, como submedição nos hidrômetros dos volumes consumidos, erros de leitura e também por fraudes nas ligações de água. Para combater essas perdas, é necessário adotar macromedidores, para apurar os volumes disponibilizados ao sistema de água, e micromedidores em todas as ligações de água, para conhecer e controlar o nível de perdas, explica Lina Cabral, gerente de controle de perdas e sistemas da Sanasa.

A qualidade dos materiais e equipamentos, o estoque mínimo para manutenção, a mão de obra qualificada, o teste hidrostático da infraestrutura antes de entrar em operação e a telemetria dos macromedidores e hidrômetros são algumas das medidas para garantia da eficiência no reparo das redes e ligações. Mas, para isso, é importante contar com o cadastro técnico de todas as tubulações, o qual deve ser disponibilizado para os diversos usuários internos por meio de uma ferramenta informatizada, a fim de gerenciar toda a rede subterrânea.

 

 

A implantação de estruturas redutoras de pressão também é uma medida interessante. "Mas é preciso aplicar essas soluções sem prejudicar as demandas requeridas pela população, buscando trabalhar apenas com pressões reduzidas, para evitar arrebentamentos de redes e ligações, para minimizar o volume de água perdido, postergar a vida útil da infraestrutura e proteger o hidrômetro", explica Ivan de Carlos, coordenador de análise de desempenho dos sistemas e cadastro técnico da Sanasa.

 

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